A Banda Calypso não é só um fenômeno de vendas, com seus milhões de discos vendidos em pouco mais de uma década de vida. A Banda Calypso – que celebra agora essa marca com o lançamento de um CD duplo e um DVD – é um fenômeno em si. Decifrá-la é entender um pouco mais sobre os novos rumos do mercado e também mergulhar num vasto universo paralelo que o Brasil muitas vezes finge desconhecer: ele mesmo.
Criação da vocalista Joelma e seu marido, o brilhante guitarrista Chimbinha, a Calypso nasceu em Belém do Pará – mas não em berço esplêndido. Longe demais das capitais e perto demais das fronteiras de exclusão do país, ela teve que dançar conforme a sua música – uma apimentada mistura de ritmos caribenhos e nacionais, como lambada, guitarrada e carimbó – para ganhar uma vaga ao Sol. E fez isso com a postura de uma banda independente – tão “indie” quanto qualquer banda de rock do sul do país.
Sem gravadora, mas com boa música para dar e vender, Joelma e Chimbinha construíram, eles mesmos, a ponte entre banda e público, deixando seus CDs nos mercados populares da cidade, a preço de custo, para que se tornassem conhecidos. Assim, sem saber, a banda estava prestes a se tornar um modelo de fazer negócios sem depender de terceiros, e também na forma de lidar com os downloads e a pirataria, a ponto de ser citada como exemplo pela revista americana “Wired”.
– No início foi complicado mesmo – conta Joelma. – Deixamos nossos discos com os camelôs por necessidade. Só que isso foi se multiplicando, nos dando uma fama no boca a boca. No final das contas, foi o público que carregou a gente nos braços.
Mais de dez milhões de discos vendidos depois fica claro que essa estratégia deu muito certo. A Calypso hoje tem ônibus e caminhões, moram em Recife e São Paulo, possuem um estúdio na cidade de Recife, fazenda no Pará e um staff de 40 pessoas, entre técnicos, músicos, dançarinos e assessores. E tem, cereja no bolo, mais de 250 fã-clubes pelo país e quatro no exterior. Isso para não falar, já falando, da TV Calypso, pela Internet (www.tvcalypso.com.br), com trechos de shows, agenda, bastidores, entrevistas…
– Depois desses dez anos, isso tudo representa uma grande vitória para a gente e, acima de tudo, para o som que a Calypso representa – conta Chimbinha. – No começo, era difícil para rádios e casas noturnas do Pará nos receberem. Hoje, somos tocados em rádios de todo o Brasil e recebidos em casas noturnas das principais capitais. É um sonho.
Para celebrar sonhos, nada melhor do que doses musicais de realidade, comprimidas nos dois CDs (2010) (com 26 músicas no total) e no DVD que marcam essa trajetória.
– Foi bem complicado escolher as músicas para esses discos, já que temos muitas que representam diversos momentos da história da Calypso – afirma Joelma. – Com o coração apertado, chegamos a essa seleção, que contou também com a participação dos nossos fã-clubes.
No DVD, a banda aparece como ela é: uma cantora carismática, um guitarrista exuberante, uma precisa banda de apoio e um espetáculo que nunca resvala na vulgaridade. A banda Calypso é pop e mostra, com toda a sua exuberância, o lado B que o Brasil muitas vezes finge desconhecer.
– O DVD tem participação do Fagner e de Bruno & Marrone. Foi um show no qual levamos pelo menos dois meses ensaiando, até mesmo em quartos de hotel, para que tudo ficasse perfeito. E acho que ficou bom – explica Chimbinha, modesto.
